| Omnia Vincit ®...'s profileOmnia Vincit - Leo M. Ni...PhotosBlogLists | Help |
Omnia Vincit - Leo M. Nietzsche๑۩۞۩๑ Ao Social Alternativo Amorquista Martins - ex-líderes estudantis ๑۩۞۩๑ |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
O Universo de Leo Nietzsche"Imaginem um garoto sem face sobre pedras. Agora, se as pedras rolarem, ele se mantém intacto, se desiste de estar sobre elas, não existe pedra também". Assim assumiu-se em um encontro na S.A.M . a pessoa de Leo Nietzsche. Num dia que deveria ser de homenagens, sem o homenageado, a Sociedade (de encontros cada vez mais raros) leu textos do escritor ao som muito eclético que ia de Wagner, para Enya, para Noel Rosa. Maria Clara, uma das organizadoras disse que não foi responsável pelo contato com o escritor, mas que ele não aprovaria Wagner talvez pelas comparações, e quando indagada se o escritor "tinha medo" respondeu: Claro, todo mundo tem, é natural... o mais importante não é a presença dele e sim os textos. E termina: Todos aqui, ou a maioria, já não faz comparação pois o entendemos bem mais agora. Acontece que para qualquer um que lê o nome do escritor faz referência imediata o que é desmistificado quando se entra em contato com as pessoas da S.A.M.O universo de Leo Nietzsche é escuro, nebuloso, pesado, denso, muitas vezes hermético, mas atrativo... como se prova neste encontro. Mas que fique claro, o que difere o universo nietzscheano do universo leonietzscheano é o tamanho, o primeiro é tão mais gigantesco, polêmico, ácido, coisa que o segundo abandonou, ou, como diz a S.A.M., apontou a acidez primeira para a lingüística e não para tipos, e seguiu, estando mais místico que ácido, mais quieto e exato que alarmista e abrangente.Matéria cedida gentilmente por: Poetch - catablog's e Nunart - Goiânia - Brasil / Marco Aurélio Souza e Nuno Pavanelli Postado por: Mª. Clara ○ ○ ♠ ○ ○
Um ano após a publicação do conto “A Hora dos Lobos Voltarem Às Casas”, o jovem escritor paulista Leo Nietzsche promete obra inteiramente dedicada à personagem principal de contos como “A Hora dos Lobos Voltarem Às Casas”; “Canta Galo”; “Roaz – ou O Jeans Materno de Nilev”; “Ornamental do Tempo” e etc. Segundo o escritor, Nilev (a personagem) é constante em suas prosas psicológicas e é muito apreciada pelos leitores (fato que o escritor atribui à falta de entendimento do público: “Eles lêem Nilev e choram nas primeiras duas linhas, criaram uma Nilev para eles próprios, lêem, apenas.” )O último conto que traz a personagem também traz um subtítulo gigantesco “Nunca Voei Por Essas Bandas – ou se você não se atrasar demais, posso te esperar por toda a minha vida”. Traz, como evidente no subtítulo, uma citação de Oscar Wilde e uma cumplicidade com o leitor Machadiana. Alguns leitores apostam em uma novela e afirmam que uma reunião de contos deixariam de fora do melhor da prosa de Leo Nietzsche, o psicologismo. Outros, do lado mais filosófico apostam em uma obra fragmentada e contraditória. Espera-se que Nilev chegue às mãos dos leitores no segundo semestre do ano que vem.
Matéria cedida por: Liliane Gama
Postado por: Mª Clara e Vanessa Sugestão: http://www.recantodasletras.com.br/autores/leonietzsche A Hora em que o Lobo Voltou para Casa Por que Leo Nietzsche, jovem poeta paulista não pode fazer poesia infantil? Sabemos que uma das escritoras mais respeitadas pelo poeta, Clarice Lispector (1920-1977) que às vistas da crítica, influenciou e muito ao poeta na prosa hermética e no psicologismo (além da inteligência e sensibilidade de sua natureza) também escreveu obras infantis, então, o que o impede de falar às crianças? Em uma das últimas reuniões dos dissidentes da Sociedade Amorquista Martins, foi indagado a respeito e respondeu que tinha planos para uma obra infantil, mas que não seria veiculada com tanta ênfase pois se tratava de um plano B daquilo que ele vem produzindo, disse apenas que seria de poesia e mais: “Elas [crianças] têm uma afinidade maior para absorver a poesia, raras as vezes procuram o sentido antes de realmente sentirem o que lêem.” E quando indagado sobre o modo de divulgação de suas produções literárias por um jornalista disse: “Você está me divulgando nesse momento, percebeu?”. Mas, tudo indica que o poeta “voltou para casa” dentro do meio artístico e literário, recluso a muitos meses para estudos, ainda não acostumou seus leitores e fãs de sua rotina, antigamente, todo final de ano ele desaparecia, como ele mesmo dizia, ia para à Idade da Luz e pouco se sabe o que de fato significa isso. A última aparição oficial em público foi para os confrades da AGL (Academia Guarulhense de Letras) em um sarau litero-musical organizado pela prefeitura do município em comemoração ao dia do escritor. Sabe-se depois disso que ele teve pouco contato com editores, revistas e etc.
Matéria cedida gentilmente por: Poetch - catablog's - Goiânia - Brasil / Alfredo Lins Postado por: Mª. Clara ┘Se o que te preocupa no banheiro ou no trabalho é a seleção, a Omnia Vincit® publica um excerto* de um texto de Leo Nietzsche.
*** “Enquanto todos os aparelhos de televisão transmitem o jogo da seleção, a Amazônia continua a realizar os resquícios de fotossíntese, a miséria é o palco do sertão, barrigas nada fartas e milhões de livros fechados estão. Embora não se perceba que não se ganha ou perde nada louvemos com orgulho o rolar de bolas (ou de dinheiro) da pátria amada.
Do mais, graças a Deus e aos apóstolos!”
(*)in "Meu sapato não chuta mil contos de réis" Nietzsche, Leonardo. (excerto gentilmente cedido pela S.A.M - with Leo Nietzsche)
Postado por: Mª. Clara *Nota em nome da equipe Omnia Vincit®
a respeito do falecimento de Raul Soares
♠
"Eu poderia começar com 'O Brasil é uma república cheia de árvores e de gente dizendo adeus' como sempre fiz nessas ocasiões, mas não, o que se pode acrescentar na ordem natural das coisas não caberá nem um pouco na realidade. O elogio não substitui o soluço, nem a revolta. Continuo nessa dimensão. Mundo de nuvens, praças, ônibus, transeuntes, palavras. A que ele não mais pertence."
Léo M. Nietzsche
* 16 de janeiro de 2006 *
ƒOS ESPELHOS "O que é um espelho? Não existe a palavra espelho - só espelhos, pois um único é uma infinidade de espelhos. - Em algum lugar do mundo deve haver uma mina de espelhos? Não são preciso muitos para se ter a mina faiscante e sonambúlica: bastam dois, e um reflete o reflexo do que o outro refletiu, num tremor que se transmite em mensagem intensa e insistente ad infinitum, liquidez em que se pode mergulhar a mão fascinada e retirá-la escorrendo de reflexos, reflexos dessa dura água. O que é um espelho? Como a bola de cristal dos videntes, ele me arrasta para o vazio que no vidente é o seu campo de meditação, e em mim o campo de silêncios e silêncios. - Esse vazio cristalizado que tem dentro de si espaço para se ir para sempre sem parar: pois espelho é o espaço mais profundo que existe." ____________________ ║A FUGA "Começou a ficar escuro e ela teve medo. A chuva caía sem tréguas e as calçadas brilhavam úmidas à luz das lâmpadas. Passavam pessoas de guarda-chuva, impermeável, muito apressadas, os rostos cansados. Os automóveis deslizavam pelo asfalto molhado e uma ou outra buzina tocava maciamente. Quis sentar-se num banco do jardim, porque na verdade não sentia a chuva e não se importava com o frio. Só mesmo um pouco de medo, porque ainda não resolvera o caminho a tomar. O banco seria um ponto de repouso. Mas os transeuntes olhavam-na com estranheza e ela prosseguia a marcha. Estava cansada. Pensava sempre: "Mas que é que vai acontecer agora?" Se ficasse andando. Não era a solução. Voltar para casa? Não. Receava que alguma força a empurrasse para o ponto de partida." ____________________ ."Não nasci para isso, penso. Não é esta, digo como dizia Don Juan, sempre 'après avoir couché avec...’ Primeiramente, repugna-me qualquer trabalho material só posso agir satisfeito no terreno das teorias, dos textos, do raciocínio puro, dos subjetivismos. Sou um jogador de xadrez nunca pude, por exemplo, com o bilhar ou com o futebol."
♠ João Guimarães Rosa "◘ Reconhecimento à Loucura Já alguém sentiu a loucura
vestir de repente o nosso corpo? Já. E tomar a forma dos objectos? Sim. E acender relâmpagos no pensamento? Também. E às vezes parecer ser o fim? Exactamente. Como o cavalo do soneto de Ângelo de Lima? Tal e qual. E depois mostrar-nos o que há-de vir muito melhor do que está? E dar-nos a cheirar uma cor que nos faz seguir viagem sem paragem nem resignação? E sentirmo-nos empurrados pelos rins na aula de descer abismos e fazer dos abismos descidas de recreio e covas de encher novidade? E de uns fazer gigantes e de outros alienados? E fazer frente ao impossível atrevidamente e ganhar-Ihe, e ganhar-Ihe a ponto do impossível ficar possível? E quando tudo parece perfeito poder-se ir ainda mais além? E isto de desencantar vidas aos que julgam que a vida é só uma? E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo? Tu Só, loucura, és capaz de transformar o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais Só tu és capaz de fazer que tenham razão tantas razões que hão-de viver juntas. Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta. Só tu tens asas para dar a quem tas vier buscar José de Almada Negreiros
* * *
Agradecemos os e-mails encaminhados e toda paciência.
Abraços fraternos. Força sempre!
Leo M. Nietzsche e Equipe Omnia Vincit® ↑Nosso amigo Biel Mantovanni era um grande admirador de Rilke, em memória d'ele é feito este post.
* * *
Tira-me a luz dos olhos - continuarei a ver-te
* * *
Equipe Omnia Vincit® ♠História de coisa
O telefone pertence ao mundo das coisas. É um objecto vivo - faço questão de que seja "objecto" e não "objeto". O "c" é o osso duro do telefone. Ele é um ser doido. É valsa de Mefistófeles. A autópsia do telefone dá pedaços de coisas. Às vezes, quando disco um número, toca, toca, toca sem parar e ninguém atende: comunico-me pálida com o silêncio de uma casa oca. Até que não agüento a tensão e, nervosa, de súbito desligo, nós dois com taquicardia. O telefone é insolúvel. O telefone é sempre emergente. As palavras não são coisas, são espírito. O telefone não fala objectos, fala espírito. Mas eu duvido da minha própria dúvida - e não sei mais o que é coisa e o que é eu diante da coisa. Ou se trata da tirania das palavras? Tomo cuidado para não pensar demais. Faz mal às palavras. Mas o telefone obedece a uma lei inalterável e a um princípio eterno e dinâmico. Eu me ajusto à minha incerteza certa da certeza do telefone. Apesar de tantas conversas e palavras - o telefone é solitário. E mantém segredo. Indiscrição? Solitude. O telefone é uma estrela. Ele se estrela todo estridente em gritos ao soar de repente em casa. Atendo, digo "Alô" - e ninguém fala. Fico ouvindo a respiração de quem me ama e não tem coragem de falar comigo. E quando o telefone nunca toca? A grande solidão: eu olho para ele e ele olha para mim. Ambos em estado de alerta. Até que não agüento mais e disco o número de um amigo. Para quebrar o silêncio grande. E quando eu me comunico com o sinal de comunicação? É um enigma: eu me comunico com um "não". Quando disco e dá sinal de ocupado, estou me comunicando com o sinal de comunicação. Com o próprio enigma, pois estou me comunicando com "não, não, não, não, não, não". E espero angustiada que o "não, não, não" se transforme em "sim, sim, sim". O sinal abençoado da chamada positiva de repente é: alô? de onde fala? Eu queria saber se existe o número 777-7777. Se existe comunico-me com o além. O telefone é como a girafa: nunca se deita. E, apesar de ser usual, é como a girafa: inusitado. Sinto o telefone me esperar quando ele não estabelece logo uma ligação. Ouço uma respiração contida, contia, contida. O telefone é um ser infeliz. Ele pode se desesperar e de repente transmitir uma notícia ruim que pega a gente desprevinida. Mas quando pode, dá notícia alegre. Eu então rio baixinho. Não adianta me explicarem como funciona o telefone. Como é que eu disco um número em casa e outra casa responde? Raio laser? Não. Astronauta, sim. Como é que na Idade Média e na Renascença as pessoas se comunicavam? Na Suíça a gente pede à telefonista para nos acordar a tal e tal hora. E também tem um serviço ótimo: a gente pergunta uma pergunta que só uma boa enciclopédia responderia. A telefonista pede para aguardar um prazo e depois telefona informando. No Brasil demora meses ou até anos para a gente conseguir obter um telefone. Em New York um brasileiro pediu à telefonista para adquirir um telefone com muita urgência. Ela disse que não podia dar com urgência. O brasileiro desanimado perguntou quando conseguiria. Para seu pasmo, ela disse: só aqui a três dias. Não digo o número de meu telefone porque é de grande segredo. Meu telefone é vermelho. Eu sou vermelha. Tenho que interromper porque o telefone está tocando.
Clarice Lispector
•ॐ Mario Quintana
A eternidade realmente é um tema bem presente nos livros de Quintana. Certa vez, por exemplo, ele assegurou: “Não tenho medo do sono eterno, mas da insônia eterna.” Bem, na realidade, ler Mario Quintana provoca insônia, porque a gente fica rolando nas horas, atrás de mais um verso, mais uma metáfora, mais um espelho, mais um gole de café, às vezes doce, às vezes amargo, mas sempre encorpado. E para quem ainda não passou uma noite em claro com Mario Quintana, a dica é ler Da Preguiça Como Método de Trabalho, um dos seus livros mais inspirados, ou acordados. Nele, como um “apanhador de poemas”, Quintana revela os seus segredos de caçada: “Um poema sempre me pareceu algo assim como um pássaro engaiolado... E que, para apanhá-lo vivo, era preciso um cuidado infinito. Um poema não se pega a tiro. Nem a laço. Nem a grito. Não, o grito é o que mais o espanta. Um poema, é preciso esperá-lo com paciência e silenciosamente como um gato. É preciso que lhe armemos ciladas: com rimas, que são o seu alpiste; há poemas que só se deixam apanhar com isto. Outros que só ficam presos atrás das quatorze grades de um soneto. É preciso esperá-lo com assonâncias e aliterações, para que ele cante. É preciso recebê-lo com ritmo, para que ele comece a dançar. E há os poemas livres, imprevisíveis. Para esses é preciso inventar, na hora, armadilhas imprevistas.” E para nos pegar, Mario Quintana não precisa de armadilhas. Basta mordermos um dos seus poemas, e pronto: ficamos presos para sempre, no exercício da nossa própria liberdade.
•
Léo M. Nietzsche Raul Soares e Omnia Vincit® ■
Uma Didática da Invenção*
(*) do "O Livro das Ignorãnças" ed. Civilização Brasileira.
Léo M. Nietzsche e Equipe Omnia Vincit®
J. Joyce e as palavrasJames Joyce & Jornada para Ítaca: do escritor "viseense" ao lugar do cânone
"Eu nasci em Vizeu - mas sou do mundo! E quem me déra ser absolutamente de Vizeu!" (A. Alves Martins)
Calmo corre o dia de qualquer Agosto. A Biblioteca Geral é labirinto e fascínio, logo me pesando a angústia da influência do eco tomado de Aguiar e Silva. Pedi os livros junto aos desejos e estou no tempo suspenso da espera. Intenso, desmesurado. Vem a memória. Penso no asserto do notável e tão esquecido poeta António Alves Martins, e logo concluo que do mundo é o cheiro quente da maresia tensa de um Luís Miguel Nava ("O mar, no seu lugar pôr um relâmpago."), a rudeza torcicolada das intempéries aquilinianas, o mimetismo real de um Samuel Maia, a ousadia libertatária de um António de Albuquerque, a mágica alquimia de um João Pedro Grabato Dias (que a tantos escandalizou por honesto se achar perante si), a chuva impiedosa que cai em afago na vibrante Judith Teixeira (que uma Maria Teresa Maia Carrilho e um René Garay dedilham com mestria na língua de Keats e de Cummings), o sopro sapiencial e discreto de João Fonseca Amaral que tão bem disse o exílio naquela estrofe "Longe embora cidade paráclita / a língua se nos cola ao céu da boca / se vier o olvido." (e sempre redivivo pelo trabalho maiêutico de um Eugénio Lisboa), a presença tutelar de Vergílio Ferreira e do halo serrano das origens que nos abala até à fímbria do ser, a escrita estranha e tensa de um Branquinho da Fonseca (que, como diria um David Mourão-Ferreira, exala um forte poder atractivo), a maravilha e o encantamento das histórias infantis de uma Ana de Castro Osório que assim inscreveu no livro da eternidade a fidelidade ao amor, à amizade e ao dever, o vezo histórico de António da Silva Gaio, o romantismo à Musset de Fausto Guedes Teixeira, o anterianismo e a perseguição poética de Carlos de Lemos e o vôo cultural com a publicação literária periódica Ave-Azul, o feminismo suave e nem por isso menos actuante de Beatriz Pinheiro e, por último, o segredo clandestino e definitivo de António Franco Alexandre "que diz bom-dia quando a gente passa / e, indiferente, segue em frente." Estala a madeira do soalho. Ainda não é para mim. As águas do sonho embalam a barcaça para Ítaca. Vem a memória. Chega Ulysses absolutamente do mundo e da circunstância. 1. Há livros assim. A partir deles, da sua chegada, nada do que havia sido dito se mantém, nada do que acontece depois poderá permanecer indemne à angústia da influência. Joyce é um ponto nodal da literatura de sempre. Não há discussão. Com Shakespeare, o inventor do humano, e com Baudelaire, o mittelpunkt da literatura moderna, Joyce habita uma cidade inexpugnável à qual é necessário chegar. No fundo, quaisquer tentativas hermenêuticas, nos seus modos distintos de assunção - seja na vertente metodológica de um Schleirmacher ou de um Dilthey, seja ainda na perspectiva ontológica de um Heidegger ou de um Gadamer, seja também na visão criticista de um Habermas ou de um Apel, seja no modo desconstrutivista de Derrida, seja por último no jeito pragmatista de Rorty - deveriam come-çar a testar-se nesse imenso e incontornável romance, visto intraorganismicamente e no debate com a recepção textual, que é o Ulysses . De facto, a teia hermenêutica utilizável para uma tessitura sígnica tão codificada, ou melhor, tão alterada, deverá conglobar, na medida do possível, o labor da abordagem textual, o exercício do modo de ser, a preocupação epistemológica, a consciência da inexistência da plenitude do sentido e, por último, o seu pendor praxístico. Assim, o arco hermenêutico que aqui proponho, adaptado ao modelo textual que a titulação implica, é uma sombra do texto que enforma as multímodas contribuições e paradigmas interpretativos.
2. O texto joyceano ou joyciano, de nome Ulysses , é uma marco da literatura universal. Com ele, James Joyce instaurou a guerra das palavras. Dessa luta sai vencedor o escritor irlandês, que prova, pela força da digladiação das palavras e pelo seu carácter redentor, poder escrever e ocupar um espaço antes sitiado. A criação de um texto como este é a verificação de uma força hercúlea que a todos afecta e transforma, reganhando um locus que afecta em catadupa os escritores de sempre, repulsando uns para as margens e convocando outros para o centro. Assim, neste contexto, o intérprete levanta a âncora e iça ao vento os preconceitos decodificadores:
PROVOCAÇÃO
Disse um George Steiner: "To read well is to take great risks. It is to make vulnerable our identity, our self-possession. (...) He who has Kafka's Metamorphosis and can look into his mirror unflinchingly may technically be able to read print, but is illiterate in the only sense that matters."
DISSEMINAÇÃO
Stendhal, no seu Le Rouge et le Noir (1830, II, cap. 19), escreve: << Un roman est un miroir qui se promène sur une grande route. Tantôt il reflète à vos yeux l'azur des cieux, tantôt la fange des bourbiers de la route.>> Em português, temos: "Um romance é um espelho que se passeia ao longo de uma estrada. Tão depressa reflecte aos nossos olhos o azul dos céus como a lama dos lamaçais da estrada." (tradução de Maria Manuel e Branquinho da Fonseca). Walt Whitman, na "Song of Myself" (1855), confidencia: << I do not give lectures or a little charity,/ When I give I give myself.>> Um também poeta americano, Robert Frost, em entrevista de 1964, "define" assim poesia: <<Poetry is what is lost in translation. It is also what is lost in interpretation.>> E para que o fastio de citações não se cumpra, finalizaremos a apresentação, dizendo: que Tennyson gritou para a noite dos séculos "And none can read the text, not even I; / And none can read the comment but myself." (Idylls of the King , 1859); e que Joyce gritou para todo o sempre "That ideal reader suffering an ideal insomnia." (Finnegans Wake , 1939).
Em conclusão, como judiciosamente o notou há dois séculos Isaac D'Israeli - pai do arquifamoso Benjamin Disraeli - existe uma arte de ler, como existe uma arte de pensar ou uma arte de escrever. (The Literary Character , 1795)
Texto de Martim de Gouveia e Sousa Selecionado pela equipe Omnia Vincit® Indicado por Léo M. Nietzsche Citação
♪
"Quando escrevo, repito o que já vivi antes.
João Guimarães Rosa
PalavrasPalavras. Garotas querem palavras bonitas. Mas o que são palavras bonitas para elas? Então, o poeta indicou uma "palavra" bonita à estas garotas.
____________________
Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio ou flecha de cravos que propagam o fogo: te amo como se amam certas coisas obscuras, secretamente, entre a sombra e a alma. dentro de si, oculta, a luz daquelas flores, e graças a teu amor, vive escuro em meu corpo o apertado aroma que ascendeu da terra. te amo simplesmente sem complicações ou orgulho; assim te amo porque não sei amar de outra maneira tão profundamente que tua mão sobre meu peito é minha, tão profundamente que quando fechas os olhos.... sonho contigo.
Del Película "Pach Adams" ____________________
Há, de fato, um número muito grande de e-mails de moças, meninas, mulheres, garotas, enfim, que dizem que o espaço não deve perder seu sentido poético. Numa última reunião identificamos haver um sentido poético em tudo, uma outra coisa possível foi a hipótese levantada de que deveria reduzir as fotos do Leo dos albúns ou até abrir-se novos albúns. Enfim, já que estão trocando comentários postados por e-mails, mandem sua opinião para sam.omniavincit@gmail.com.
Equipe Omnia Vincit®
ArtigosVieram alguns e-mails para a Sociedade Amorquista pedindo que fosse publicado algo a respeito de "O Óbvio" do Leonardo, do dia 11 de Agosto exposto em algumas escolas públicas e posteriormente em vários correios estudantis.
Quando perguntamos ao Leonardo a dimensão de " O Óbvio II - À Escola que frenquentei" do dia 11 de Agosto para cá, ele nos surpreendeu, mais uma vez, com uma citação do escritor norte-americano Theodore Palmquistes, que dizia assim:
"O grande segredo da educação pública de hoje é sua incapacidade de distinguir conhecimento e sabedoria. Forma a mente e despreza o caráter e o coração. As conseqüências são estas que se vê."
Foi-nos prometido uma bela de uma entrevista para este mês ainda, claro, no mês de "estréia" de "O Óbvio". Cabe ao próprio Leo nos desponibilizar disso.
A Equipe Algumas considerações sobre o conto de Machado de AssisO ALIENISTA
“Mesmo que evitemos todo e qualquer exagero apologéticos, não podemos deixar de reconhecer que Machado de Assis é a mais legítima gloria de nossa literatura de ficção; e o é, tanto pelo conteúdo humano de sua obra, quanto pelos relevos artísticos da mesma.” Diz Antônio Soares Amora em “História da Literatura Brasileira”.
Joaquim Maria MACHADO DE ASSIS é, sem dúvida, um dos mestres incontestáveis da arte do conto, indiscutivelmente, um dos maiores escritores da literatura universal, de sua grandeza e genialidade. Talvez, com todo o entendimento humano, com uma vasta experiência investigativa e especialista no autor, não seria suficiente para conhecermos e entendermos o mínimo desse seu ilimitado mundo e seu significado, de fantasia e transfiguração do espírito e da realidade, de sua importância e talento excepcional, mas sabemos que em toda nossa cultura moderna, dificilmente encontraríamos um manancial mais rico e mais puro de idéias em favor do homem e de sua elevação intelectual e moral de toda a sua obra, e vale lembrar de um verso do poema “A um bruxo com amor” de Carlos Drummond de Andrade, que diz: “Outros leram da vida um capítulo, tu leste o livro inteiro”, onde praticamente resume e podemos ter uma idéia considerável de sua importância e motivo de nosso entusiasmo para ressaltarmos e traçamos observações sobre o conto “O Alienista”. Publicado pela primeira vez no jornal A ESTAÇÃO, sob a forma de folhetim, entre outubro de 1881 a março de 1882, e, nesse mesmo ano, concluído em Papéis Avulsos (livro de contos), alcançando repercussão imediata, indicando-o ao posto de um dos melhores contos, uma obra-prima de nossa literatura. Esse é, com certeza, um dos contos mais formidáveis de Machado de Assis, cuja temática central, desenvolvida com uma certa dose de ironia, conduz o leitor numa eterna reflexão sobre os limites entre a insanidade e a razão. Em torno dessa temática, circula uma série de tramas que nos transportam ao nível da reflexão implicando temas variados dentro da trama central: loucura; limite entre razão e loucura; o poder da palavra; a loucura da ciência, e o que se faz em nome dela e outros aspectos que permitem determinar o que é loucura, porém, considerando que todos somos diferentes e extrapolamos, às vezes, o limite em diferentes aspectos da vida. O autor lembra a relatividade das coisas e, principalmente, da alma humana, através do tema subjacente do homo absurdus, descreve momentos trágicos e analisa o procedimento humano mostrando a impossibilidade do transcorrer normal da vida porque ela é absurda por natureza. O movimento do querer (essência humana) gera a angústia e a dor, que somente serão superados por aqueles que estão além da razão. Nesse conto, Machado de Assis dá ênfase especial ao questionamento do tema LOUCURA, o que é e o que ela significa, satirizando a filosofia, a atividade mental, por meio de uma personagem que se suicida mentalmente, recolhendo-se ao hospício, ao ver a inutilidade e a falência de seu raciocínio; faz desaparecer os limites entre ela e a razão, porém, não menosprezando, outras subestórias de relevância: CIÊNCIA E PODER, sendo possível todas andarem paralelamente num mundo verbal precioso e a abundância de detalhes. O herói de “O Alienista” é o médico Simão Bacamarte, apresentado ao leitor com toda solenidade que requer um epíteto grandioso de “o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas”. Formou-se na Universidade de Coimbra, mas veio para o Brasil, Rio de Janeiro, mais especificamente exilando-se em Itaguaí, um fim de mundo que o doutor chamava de “meu universo”. Entregou-se de corpo e alma ao estudo da ciência, alternando as curas com a leitura. Homem culto por excelência, releu todos os escritores árabes e outros e até enviava consultas às universidades italianas e alemãs. Utilizava-se de métodos nada convencionais para tratar de seus pacientes, como fez com sua própria esposa, D. Evarista, em uma de suas enfermidades abusando de experiências meio que exageradas, e não duvidando de sua eficácia. Bacamarte pensa que a ciência é tudo (casa-se com uma mulher insossa, mais jovem e pouco atraente apenas porque ela, cientificamente, lhe daria bons filhos, e isso não acontece). Ao cabo de algum tempo ele decide construir um manicômio, para internar os doentes mentais que andam soltos ou trancados de modo subumano. Mas sua concepção de loucura vai se alargando, e aos poucos, mais e mais pessoas vão sendo internadas, algumas por nada. A cidade vai revoltando-se em silêncio, alguns tentam fugir (alguns são capturados nisso), pensam que Bacamarte o faz por motivos pessoais; mas não, o faz por amor à ciência, tanto que pediu para não mais receber dinheiro para cuidar dos loucos. A revolta vai ganhando voz e a saúde mental do alienista duvidada . O povo em dado momento se revolta, e prestes a marchar contra o hospício (Casa Verde), é impedido pelos Dragões. Mas os Dragões se juntam a eles. Eles derrubam o governo municipal e seu líder, o barbeiro, toma o governo da vila. O outro barbeiro lidera uma revolta e, após uma estranha reviravolta, Bacamarte volta a ter apoio da Câmara. E continua internando os loucos, incluindo a esposa (vaidosa após voltar do Rio de Janeiro) até que percebe que 80% da população está na Casa Verde. Liberta todos e passa a capturar todos aqueles que gozam perfeitamente de suas capacidades mentais, que eram exceção na cidade. Ao fim de um ano e pouco, a Casa Verde encontra-se vazia, todos os são, simples, modestos e bons devidamente enlouquecidos. Bacamarte então faz auto-análise e, após discutir com outros, se recolhe à Casa Verde e morre depois de um ano e meio, sem sucesso em curar-se de sua sanidade. A Casa Verde seria a instituição, o mundo, onde o povo insano era recolhido e tratado. O psiquiatra Bacamarte, em seus estudos, reformula o conceito de loucura, durante uma palestra com o boticário da cidade e seu confidente, diz-lhe que “A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente”. As teorias sucessivas de Simão Bacamarte alargava ou reduzia terrenos da razão e da loucura, expondo definições do que seria patologia e sanidade em termos mentais. Há, na obra, uma grande preocupação em fixar a problemática do homem universal, buscando inspiração nas ações cotidianas e no homem comum. O autor penetra na consciência das personagens, sondando-lhes o funcionamento e captando os impulsos contraditórios dos seres humanos, desmascarando o jogo das relações sociais, enfatizando o contraste entre a essência e a aparência, em que o sucesso financeiro é o objetivo primordial. O homem deixa de ser o centro, mas passa a ser parte de um sistema. Há algumas características marcantes, no conto, que não podemos deixar passar despercebidas: apreensão da realidade, o não-eu em nível de realidade e descrição, a precisão de detalhes, ocupando o lugar central enquanto técnica narrativa. Sendo o século XIX “mais real que a própria vida” o autor transmite essa realidade, analisando em profundidade o mundo psicológico, observando o ambiente e, penetrando na alma humana a fim de desvendar “os abismos da consciência e do sentimento”. A estrutura do conto é baseada numa linguagem hiperbólica que pode ser evidenciada através das tramas em que estão envolvidos as personagens, como D. Evarista e Porfírio, sendo estes levados ora à grandeza, ora à redução. Exemplificando, com o próprio prédio da Casa Verde que, em momentos da narrativa se encontra Superlotado e, no final, se reduz a um único habitante. No caso de D. Evarista, ocorre uma surpreendente transformação, ou seja, com a inauguração da Casa Verde, ela é vista pelo leitor como uma ilustre dama e, após algum tempo, este mesmo leitor adquire uma visão oposta à mesma personagem, pois a situação, se inverte. Em outro momento, Bacamarte e Porfírio debatem a situação deste, que, no momento se encontra no auge de sua ambição política, como chefe do movimento revolucionário. Aparentemente, Simão Bacamarte sai vencedor, utilizando-se de seu discurso convincente. Machado narra as tramas com a ironia habitual, com malícia e intromissões, envolvendo ainda mais o leitor e personagem no mundo verbal. A palavra, no conto “O Alienista” tem uma função importante e representativa, observa-se por seu intermédio, os objetivos das personagens centrais Simão Bacamarte, D. Evarista e também de um “louco” da Casa Verde, que têm medo de falar porque as estrelas cairiam; outro sujeito que se chamava João de Deus, acreditava ser Deus João, e prometia o reino dos céus para quem o adorasse. O jogo de palavra, por vezes, não tem significação concreta, como o termo “Bastilha da razão humana”. O poder da palavra é convincente, com ou sem significação. O efeito é sempre profundo, mobilizador e funcional. O próprio narrador se utiliza da palavra para fugir a determinadas explicações e satisfações devidas ao leitor e ainda, para se manter tão próximo e, ao mesmo tempo, tão distante da narrativa. Ainda há a considerar o aspecto estilístico. Machado atinge nessa obra o ápice de sua perfeição no que concerne à maneira pessoal de usar a língua, na escolha das palavras adequadas ao tema, nos padrões imagísticos, no ritmo, na linguagem figurada. Determinadas personagens, como os primeiros “loucos” levados à Casa Verde, sofrem o poder da palavra, sendo classificados como tais, isto é, como “loucos”. O poder da palavra nos leva, então, à demência verbal ou a sermos sábios. Em muitas passagens, Simão Bacamarte se utiliza do poder verbal para defender a Casa Verde, diante de Porfírio e do povo de Itaguaí, ilustrando a complexidade da mente humana: “A loucura se exprime pela palavra. A palavra conduz à loucura”. (...) O universo verbal nesse conto é perfeitamente aplicável ao problema da fixação de fronteiras entre o normal e o anormal da mente humana.
Post: Equipe Omnia Vincit® Revisão: Leo M. Nietzsche e Raul Soares Trechos“Pouca gente sabe que não existe chuva, o que há, em verdade, é uma precipitação de água. Essa “chuva”, é uma chuva que por ela também “chovo”, ela me traz a memória que muita coisa eu carrego preso à garganta, coisas que não disse ao meu grande amor, e que o amor também não me disse e eu esperava. A grande coisa é que a água da “chuva”, quando bebida, me varre todas estas palavras dos lábios e me enche o coração. Por tanto, a chuva é um grande remédio, contra o desamor. Ultimamente não ando fazendo tal tratamento, está explicado se por ventura eu falar que te amo? Quero que não caiba mais amor em meu coração, para eu não ter de procurar mais, para torná-lo eterno e duradouro, para que a “chuva” sirva, para mim, somente para que eu corra dela de mãos dadas com meu grande amor. Está explicado o porquê desse gostar de chuva, há uma teoria sobre o frio que não me cabe falar agora, pois parece que vai chover, parece que vou me molhar, parece que eu vou buscar meu amor... mas e se só parece?”
(Leonardo M. Nietzsche, in “Desamor”) A equipe Omnia Vincit® decidiu , sobre a autorização do jovem escritor Leonardo Martins Nietzsche, que passaríamos a montar alguns post's a respeito da obra dele, talvez tentáríamos trazer trechos (pois ele não permite textos completos) da qual muitas pessoas não leram ainda, tentaremos trazer um lado nunca antes "lido" dele. O primeiro trecho liberado por ele, foi o trecho do texto "Desamor", texto que acompanhou durante alguns meses o andamento do livro "Memórias de Martins Buss ou Vida Após 80 Anos" de Léo Nietzsche e Felipe Dantas, e que o primeiro autor viria a acoplá-lo em "Corações Perfeitos - Confissões D'ele que era eu" ( a mais recente obra inacabada). Pode soar ainda um manifesto ao "Jamais parar de escrever" que indicamos ao Léo, mas, interpretações a mil.
Raul Soares Grandes LetrasDerradeira Primavera
Põe a mão na minha mão
Só nos resta uma canção Vamos, volta, o mais é dor Ouve só uma vez mais A última vez, a última voz A voz de um trovador Fecha os olhos devagar
Vem e chora comigo O tempo que o amor não nos deu Toda a infinita espera O que não foi só teu e meu Nessa derradeira primavera Composição: Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes Sobre Livros e LeituraSobre Livros e Leitura
Arthur Schopenhauer Tradução de Philippe Humblé e Walter Carlos Costa 290. A ignorância só degrada a pessoa quando é acompanhada de riqueza. O pobre é limitado por sua pobreza e por suas necessidades; no seu caso o trabalho substitui o saber e ocupa seus pensamentos. Por outro lado, os ricos que são ignorantes vivem apenas para seus prazeres e se parecem ao gado, como podemos notar diariamente. Isto é ainda mais censurável porque não usaram a riqueza e o ócio para aquilo que lhes empresta o mais alto valor.
291. Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: só repetimos seu processo mental. Trata-se de um caso semelhante ao do aluno que, ao aprender a escrever, traça com a pena as linhas que o professor fez com o lápis. Portanto, o trabalho de pensar nos é, em grande parte, negado quando lemos. Daí o alívio que sentimos quando passamos da ocupação com nossos próprios pensamentos à leitura. Durante a leitura nossa cabeça é apenas o campo de batalha de pensamentos alheios. Quando estes, finalmente, se retiram, que resta? Daí se segue que aquele que lê muito e quase o dia inteiro, e que nos intervalos se entretém com passatempos triviais, perde, paulatinamente, a capacidade de pensar por conta própria, como quem sempre anda a cavalo acaba esquecendo como se anda a pé. Este, no entanto, é o caso de muitos eruditos: leram até ficar estúpidos. Porque a leitura contínua, retomada a todo instante, paralisa o espírito ainda mais que um trabalho manual contínuo, já que neste ainda é possível estar absorto nos próprios pensamentos. Assim como uma mola acaba perdendo sua elasticidade pelo peso contínuo de um corpo estranho, o mesmo acontece com o espírito pela imposição ininterrupta de pensamentos alheios. E assim como o estômago se estraga pelo excesso de alimentação e, desta maneira prejudica o corpo todo, do mesmo modo pode-se também, por excesso de alimentação do espírito, abarrotá-lo e sufocá-lo. Porque quanto mais lemos menos rastro deixa no espírito o que lemos: é como um quadro negro, no qual muitas coisas foram escritas umas sobre as outras. Assim, não se chega à uma ruminação*: e só com ela é que nos apropriamos do que lemos, da mesma forma que a comida não nos nutre pelo comer mas pela digestão. Se lemos continuamente sem pensar depois no que foi lido, a coisa não se enraíza e a maioria se perde. Em geral não acontece com a alimentação do espírito outra coisa que com a do corpo: nem a quinqüagésima parte do que se come é assimilado, o resto desaparece pela evaporação, pela respiração ou de outro modo. Acrescente-se a tudo isso que os pensamentos postos no papel nada mais são que pegadas de um caminhante na areia: vemos o caminho que percorreu, mas para sabermos o que ele viu nesse caminho, precisamos usar nossos próprios olhos.
(*) Na prática, o fluxo contínuo e forte de novas leituras só serve para acelerar o esquecimento do já lido.
*** Extraído de "Über Lesen und Bücher", capítulo 24 de Parerga und Paralipomena (1851), Sobre Livros e Leitura foi originalmente publicado em edição bilíngüe pela Editora Paraula, em 1993, com reimpressão em 1994.
***
Material cedido por Léo M. Nietzsche da Omnia Vincit®
Se...
Se algum dia eu soubesse
que nunca mais veria você...
Mário Quintana *** Post: Ana (S.A.M) Colaboração: Léo Nietzsche Espaço: Omnia Vincit® Talvez fosse EinsteinSei que é inútil tentar discutir os juízos de valores fundamentais. Se alguém aprova como meta, por exemplo, a eliminação da espécie humana da face da Terra, não se pode refutar esse ponto de vista em bases racionais. Se houver porém concordância quanto a certas metas e valores, é possível discutir racionalmente os meios pelos quais esses objetivos podem ser atingidos. Indiquemos, portanto, duas metas com que certamente estarão de acordo quase todos os que lêem estas linhas. 1. Os bens instrumentais que servem para preservar a vida e a saúde de todos os seres humanos devem ser produzidos mediante o menor esforço possível de todos. 2. A satisfação de necessidades físicas é por certo a precondição indispensável de uma existência satisfatória, mas em si mesma não é suficiente. Para se realizar, os homens precisam ter também a possibilidade de desenvolver suas capacidades intelectuais artísticas sem limites restritivos, segundo suas características e aptidões pessoais. A primeira dessas duas metas exige a promoção de todo conhecimento referente às leis da natureza e dos processos sociais, isto é, a promoção de todo esforço científico. Pois o empreendimento científico é um todo natural, cujas partes se sustentam mutuamente de uma maneira que certamente ninguém pode prever. Entretanto, o progresso da ciência pressupõe a possibilidade de comunicação irrestrita de rodos os resultados e julgamentos - liberdade de expressão e ensino em todos os campos do esforço intelectual. Por liberdade, entendo condições sociais, tais que, a expressão de opiniões e afirmações sobre questões gerais e particulares do conhecimento não envolvam perigos ou graves desvantagens para seu autor. Essa liberdade de comunicação é indispensável para o desenvolvimento e a ampliação do conhecimento científico, aspecto de grande importância prática. Em primeiro lugar, ela deve ser assegurada por lei. Mas as leis por si mesmas não podem assegurar a liberdade de expressão; para que todo homem possa expor suas idéias sem ser punido, deve haver um espírito de tolerância em toda a população. Tal ideal de liberdade externa jamais poderá ser plenamente atingido, mas deve ser incansavelmente perseguido para que o pensamento científico e o pensamento filosófico, e criativo em geral, possam avançar tanto quanto possível. Para que a segunda meta, isto é, a possibilidade de desenvolvimento espiritual de todos os indivíduos, possa ser assegurada, é necessário um segundo tipo de liberdade externa. O homem não deve ser obrigado a trabalhar para suprir as necessidades da vida numa intensidade tal que não lhe restem tempo nem forças para as atividades pessoais. Sem este segundo tipo de liberdade externa, a liberdade de expressão é inútil para ele. Avanços na tecnologia tornariam possível esse tipo de liberdade, se o problema de uma divisão justa do trabalho fosse resolvido. O desenvolvimento da ciência e das atividades criativas do espírito em geral exige ainda outro tipo de liberdade, que pode ser caracterizado como liberdade interna. Trata-se daquela liberdade de espírito que consiste na independência do pensamento em face das restrições de preconceitos autoritários e sociais, bem como, da "rotinização" e do hábito irrefletidos em geral. Essa liberdade interna é um raro dom da natureza e uma valiosa meta para o indivíduo. No entanto, a comunidade pode fazer muito para favorecer essa conquista, pelo menos, deixando de interferir no desenvolvimento. As escolas, por exemplo, podem interferir no desenvolvimento da liberdade interna mediante influências autoritárias e a imposição de cargas espirituais aos jovens excessivas; por outro lado, as escolas podem favorecer essa liberdade, incentivando o pensamento independente. Só quando a liberdade externa e interna são constantes e conscienciosamente perseguidas há possibilidade de desenvolvimento e aperfeiçoamento espiritual e, portanto, de aprimorar a vida externa e interna do homem. Post: Raul e Priscilla
Revisão: Léo Nietzsche
Espaço: Omnia Vincit® S.A.M
2005 ³³NÃO DEIXEM A GUERRA COMEÇAR!
"Temos uma visão ocidental em tudo que se move. Toda movimentação de um povo que perde família, terra, dignidade, perde seu espaço e seu direito, faz da vida seu dever, um dever que se baseia em mostrar que o espírito é uma coisa inquebrável, independente daquilo que sente o coração, toda essa movimentação para nós é terrorismo, e para eles? Parafraseando a música, "não deixe a guerra começar" sim! Mas não deixem a guerra começar lá no oriente, travemos uma guerra ao telencéfalo pouco desenvolvido de alguns vigentes que não entendem o homem, não respeita seu espaço, não valoriza a cultura alheia, passando longe, muito longe da idéia de humano, ou será demasiado abdicar de poderes fora de seu alcançe, fora de seu direito... Contudo temos uns mensalões bombardeando o Brasil neste momento, terrorismo também?"
Citação ao Léo M. Nietzsche (recolhida às 10hs 30') e postado por Raul Soares ¹³Procura-se um Amigo Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar. Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer. Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grande chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive. (Vinícius de Moraes) |
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|